quarta-feira, abril 12

Sobre casas e coisas...

Queridos amigos,

Volto a escrever e compartilhar...
Há alguns dias tenho lembrado um poema de Rabindranath Tagore... 
Recebe o número 46 da parte intitulada Místicas, do livro Filigranas de Luz... 
Tenho uma edição bem antiga, de 1965, do Grupo Editorial Spiritvs. 

Espero que gostem!  

"Aqui está, Amigo, minha casa vazia e meu cheio coração: é o quanto resta, após a tempestade da véspera. 

Durante muito tempo, reuni objetos que a convenção valorizou, e de ornamentos inundei o lar, fazendo-o deslumbrante e belo. 

Muitas vezes desejei deter o sol triunfante, para que minhas águas se doirassem ao seu beijo, quando seus raios desciam a mirar-se no lago do meu quintal. Todavia, fagueiro ele corria pelo céu e, ocultando-se, fazia-me chorar de emoção ao vê-lo emoldurando nuvens brincalhonas.

Vezes outras, roguei à pálida virgem da noite descesse seus cabelos de prata, e os umedecesse no orvalho guardado nas pétalas do meu roseiral. No entanto, ei-la no lago, a deslizar nas águas paradas, despedaçando-se sob as rodas do carro do vento. 

Às aves do arvoredo, supliquei sempre cantassem à janela do meu quarto, despertando-me com o gorjeio das suas vozes canoras. Mas, quando as tive perto, no peitoril da janela, tornei-me ladrão, roubando-lhes a liberdade, para sempre as ouvir cantar... e, daí por diante, sempre estiveram a chorar a perda do céu sem fim e do arvoredo musical, que a brisa oscula e a noite acalenta. 

Tudo quis: nada tive. 

Quando, porém, a dor de muitos chorou à minha porta, qual tempestade de desesperos, dei todos os objetos, ornamentos e valores que a humana condição venera... 

E libertei-me da rapina, libertando as aves. 

A dor dos estranhos me falou tanto, que me fiz mendigo, rico que fui, para dar. 

E agora que chegas, Amigo, tu a quem amo... Somente posso oferecer-te minha casa vazia e meu cheio coração, eu que antes era dono de uma casa cheia e de um vazio coração."


Com carinho, 
em brisas perfumadas,

Carla 

quinta-feira, junho 30

Retrato da Amizade

Agradeço, alma fraterna e boa,
O amor que no teu gesto se condensa,
Deixando, ao longe, a festa, o ruído e o repouso
Para dar-me a presença…

Sofres sem reclamar, enquanto exponho
Minhas ideias diminutas
E anoto como é grande o teu carinho,
No sereno sorriso em que me escutas

Não sei dizer-te a gratidão que guardo
Pelas doces palavras que me dizes,
Amenizando as lutas que carrego
Em meus impulsos infelizes…

Auxilias-me a ver, sem barulho ou reproche,
Dos trilhos para o bem o mais certo e o mais curto,
Sem cobrar pagamentos ou louvores
Pelo valor do tempo que te furto.

Aceitas-me, no todo, como sou,
Nunca me perguntaste de onde vim,
Nem me solicitaste qualquer conta
Da enorme imperfeição que trago em mim!…

Agradeço-te, ainda, o socorro espontâneo
Que me estendes à vida, estrada afora,
Para que as minhas mãos se façam mensageiras
De consolo a quem chora!…

Louvado seja Deus, alma querida e bela,
Pelo conforto de teu braço irmão,
Por tudo o que tens sido em meu caminho,
Por tudo o que me dás ao coração!…


Mensagem de Maria Dolores, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier
Livro Antologia da Espiritualidade


Meu carinho em brisas!