sábado, 11 de abril de 2015

Lembrar de ser feliz

É provável que encontres fios de lã em meus cabelos... 
e antes que irresistivelmente teus dedos o alcancem,
deixa-me levar-te comigo a campos verdes, frios ainda que banhados de sol,
de vento constante e cheiro de eucalipto...
deixa-me fazer-te sentir o aroma também verde dos ciprestes
e a sensação de já ter chegado, apesar de ainda estar viajando.
E que teus ouvidos te deliciem com o som das folhas dançando e
o balido leve de ovelhas que ainda vão ser tosquiadas, e a lã... 
a lã que veio ter em meus cabelos como uma lembrança real de um sonho vivido há tanto tempo....

Mas se tua mão insiste em me fazer normal,
retira a lã, mas deixa
com teus dedos
um carinho em meus cabelos,
para que eu possa lembrar que sou feliz...



Carinhos em brisas
Cosquinhas de lã...

Carla

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Sobre a alegria

Doce mensagem da querida Meimei, para reflexões do dia!


"Alegria

Alegria é o cântico das horas com que Deus te afaga a passagem no mundo.
Em toda parte, desabrocham flores por sorrisos da natureza e o vento penteia a cabeleira do campo com música de ninar.



A água da fonte é carinho liquefeito no coração da terra e o próprio grão de areia, inundado de sol, é mensagem de alegria a falar-te do chão.

Não permitas, assim, que a tua dificuldade se faça tristeza entorpecente nos outros.

Ainda mesmo que tudo pareça conspirar contra a felicidade que esperas, ergue os olhos para a face risonha da vida que te rodeia e alimenta a alegria por onde passes.

Abençoa e auxilia sempre, mesmo por entre lágrimas.

A rosa oferece perfume sobre a garra do espinho e a alvorada aguarda, generosa, que a noite cesse para renovar-se diariamente, em festa de amor e luz.

Meimei  
XAVIER, F. C. e VIEIRA, Waldo. "Ideal Espírita". Por Diversos Espíritos. 12.ed. Uberaba, MG: CEC, 1997, cap. 67."


Qual alegria semeaste hoje?

Meu carinho
Em brisas

Carla

quinta-feira, 14 de março de 2013

Dia do poeta

Em homenagem a Castro Alves...
Para Érica, em memórias as longas cartas cheias de poemas que trocávamos...
 
O LAÇO DE FITA 
 
Não sabes, criança? ‘Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
Num laço de fita. 
 
Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu’enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
O laço de fita. 
 
Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
Num laço de fita. 
 
E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh’alma se embate, se irrita...
O braço que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
Ó laço de fita! 
 
Meu Deus! As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
Um laço de fita. 
 
Há pouco voavas na célere valsa
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
Teu laço de fita. 
 
Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N’alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso

No laço de fita.
Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepita!
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c’roa...
Teu laço de fita. 
 
 
São Paulo, julho de 1868 
 
Queridos, procurando este poema de que tanto gosto achei muitas "versões" na internet, talvez erros de digitação, talvez "arte criativa" de quem queria divulgar o poema... Infelizmente não estava com o meu Espumas Flutuantes à disposição para consulta, o que é o mais recomendável (confirmar no livro impresso a digitação, formatação etc).
 
Encontrei no Domínio Público (http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000006.pdf) o livro.
 
Fica a dica!
 
Beijos nas brisas!
Carla

segunda-feira, 11 de março de 2013

De dias pra deixar passar

Saudade louca de qualquer lugar
Estar, vir a ser, saudade do que ainda vou chegar
Estranhei as estrelinhas que pintei nas unhas
Que eram brilhos de alegria, hoje, não sei...
Amanhã, hei de chegar
E ver o sol de novo