sábado, 5 de março de 2005

Diálogo


Há muitas coisas que me dizes...
Eu ouço, reflito, considero.
Nem todas posso seguir, nem todas, quero
Entender-te apenas, não a mim.

Modo bonito de ver teu cuidado escondido
Em broncas, em descontentamentos,
E por que não demonstras claramente esses sentimentos?
Por que te escondes, revelando-te?

Eu sorrio, tu achas que é desconsideração
É admiração, é tanto brilho que vejo
Sinto em silêncio o não poder expressar o que desejo
Teus olhos, teu coração, o vento...

Brisas todas, meus olhares sobre ti
Sorrisos todos, meus desejos em preces sussurrados
O tempo, remédio sagrado sobre nossos cuidados
Amor... flores e perfumes, tenro abraço... sonhos bons!

Um beijo
Carla
# Soprado aos quatro ventos pela Brisa | Agora já é ventania... (8)
Este é um lindo diálogo...
e marcia ming tem razão quando diz que somos solitários, que na realidade procuramos por nós mesmos. apesar de não comentar já venho aqui a algum tempo e sempre acho alguns cacos meus espalhados pelo seu jardim e embalados pela sua brisa...
Brisas são bem vindas em uma rosa dos ventos...
Wind | Homepage | 11.03.05 - 12:29 pm | #

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Que belo poema! Visitar sem blog é sempre uma festa! Parabens pelas coisas lindas que escreve! Pela sensibilidade e pela criatividade!Beijo matinal!
Bisa Maith | Homepage | 11.03.05 - 9:04 am | #

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 Olá, quanto tempo sem passar por aqui. Eu não estava conseguindo acessar, mas hoje deu certo! Como sempre um banho de sensibilidade. Bjs.
Luciana | Homepage | 10.03.05 - 5:39 pm | #

Querida, quanto tempo que não passo por aqui. Eu não estava conseguindo acessar a página, hoje deu certo. Como sempre, é um prazer enorme visitar seu espaço! Parabéns por tanta sensibilidade. Bjs.
Luciana | Homepage | 10.03.05 - 5:35 pm | #

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 Que texto lindo... essa brisa chegou aqui em forma de paz, alegria e esperança. Fez meu coração e minha alma sorrir!
Beijo gde e parabéns pelo nosso dia... ele representa nossas conquistas diárias !
Ana Paula | Homepage | 08.03.05 - 11:36 pm | #

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 Gostei, acho que vivemos uma vida solitaria, em busca não de outros e sim de nós mesmos, será que conseguiremos .
Sera q nossas preces serão atendidas??
abraços
marcia
marcia ming | Homepage | 08.03.05 - 11:07 am | #

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Oi Brisa! Oi Bugra! Saudades! Bjs.
Panis | Homepage | 06.03.05 - 12:57 pm | #

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 uma brisa brincalhona...risos.. como queria que esta Brisinha chegasse ao vivo e a cores aos olhinhos de meus meninas e meninos... passaste pela Aldeia.. deixaste tua energia.. contagiaste meu coração.. na segunda feira mostrarei a eles e direi que um moça linda chamada Carla, é mais um nomezinho a ser agregado nas orações das nossas manhãs...

bijo carinhoso na palma da mão!
BUGRA | Homepage | 05.03.05 - 9:12 pm | #


domingo, 27 de fevereiro de 2005

Três dias para ver...


Achei alguns textos antigos do blog...
Essa é uma republicação de uma mensagem de 27.02.2005!

Queridos,

o texto a seguir é um artigo de Helen Keller (1880-1968), publicado há mais de 70 anos no Reader’s Digest-Seleções.
Nesses tempos de internet, onde tudo se vê por uma tela, me peguei pensando se não estamos igualmente cegos em relação ao mundo, às pessoas, à vida... Vendo tanto e vendo nada!
Além de todo lirismo, delicadeza de sua alma, Helen traz aquelas verdades atemporais que todos nós precisamos ouvir de vez em quando...

Será que estamos usando bem os dons de que dispomos?
O que você vê aí, em volta de você?

"Várias vezes pensei que seria uma benção se todo ser humano, de repente, ficasse cego e surdo por alguns dias, no princípio da vida adulta. As trevas o fariam apreciar mais a visão e o silêncio lhe ensinaria as alegrias do som.

De vez em quando, testo meus amigos que enxergam para descobrir o que eles vêem. Há pouco tempo perguntei a uma amiga que voltava de um longo passeio pelo bosque o que ela observara. "Nada de especial", foi à resposta.

Como é possível, pensei, caminhar durante uma hora pelos bosques e não ver nada digno de nota? Eu, que não posso ver, apenas pelo tato encontro centenas de objetos que me interessam. Sinto a delicada simetria de uma folha. Passo as mãos pela casca lisa de uma bétula ou pelo tronco áspero de um pinheiro. Na primavera, toco os galhos das árvores na esperança de encontrar um botão, o primeiro sinal da natureza despertando após o sono do inverno. Por vezes, quando tenho muita sorte, pouso suavemente a mão numa arvorezinha e sinto o palpitar feliz de um pássaro cantando.

Às vezes meu coração anseia por ver tudo isso. Se consigo ter tanto prazer com um simples toque, quanta beleza poderia ser revelada pela visão! E imaginei o que mais gostaria de ver se pudesse enxergar, digamos, por apenas três dias.

Eu dividiria esse período em três partes. No primeiro dia, gostaria de ver as pessoas cuja bondade e companhias fizeram minha vida valer a pena. Não sei o que é olhar dentro do coração de um amigo pelas "janelas da alma", os olhos. Só consigo "ver" as linhas de um rosto por meio das pontas dos dedos. Posso perceber o riso, a tristeza e muitas outras emoções. Conheço meus amigos pelo que toco em seus rostos.

Como deve ser mais fácil e muito mais satisfatório para você, que pode ver, perceber num instante as qualidades essenciais de outra pessoa ao observar as sutilezas de sua expressão, o tremor de um músculo, a agitação das mãos. Mas será que já lhe ocorreu usar a visão para perscrutar a natureza íntima de um amigo? Será que a maioria de vocês que enxergam não se limita a ver por alto as feições externas de uma fisionomia e se dar por satisfeita?

Por exemplo, você seria capaz de descrever com precisão o rosto de cinco bons amigos? Como experiência, perguntei a alguns maridos qual a exata cor dos olhos de suas mulheres e muitos deles confessaram, encabulados, que não sabiam.
Ah, tudo que eu veria se tivesse o dom da visão por apenas três dias!

O primeiro dia seria muito ocupado. Eu reuniria todos os meus amigos queridos e olharia seus rostos por muito tempo, imprimindo em minha mente as provas exteriores da beleza que existe dentro deles. Também fixaria os olhos no rosto de um bebê, para poder ter a visão da beleza ansiosa e inocente que precede a consciência individual dos conflitos que a vida apresenta. Gostaria de ver os livros que já foram lidos para mim e que me revelaram os meandros mais profundos da vida humana. E gostaria de olhar nos olhos fiéis e confiantes de meus cães, o pequeno scottie terrier e o vigoroso dinamarquês.
À tarde daria um longo passeio pela floresta, intoxicando meus olhos com belezas da natureza. E rezaria pela glória de um pôr-do-sol colorido. Creio que nessa noite não conseguiria dormir.

No dia seguinte eu me levantaria ao amanhecer para assistir ao empolgante milagre da noite se transformando em dia. Contemplaria assombrado o magnífico panorama de luz com que o Sol desperta a Terra adormecida.
Esse dia eu dedicaria a uma breve visão do mundo, passado e presente. Como gostaria de ver o desfile do progresso do homem, visitaria os museus. Ali meus olhos, veriam a história condensada da Terra - os animais e as raças dos homens em seu ambiente natural; gigantescas carcaças de dinossauros e mastodontes que vagavam pelo planeta antes da chegada do homem, que, com sua baixa estatura e seu cérebro poderoso, dominaria o reino animal.

Minha parada seguinte seria o Museu de Artes. Conheço bem, pelas minhas mãos, os deuses e as deusas esculpidos da antiga terra do Nilo. Já senti pelo tato as cópias dos frisos do Paternon e a beleza rítmica do ataque dos guerreiros atenienses. As feições nodosas e barbadas de Homero me são caras, pois também ele conheceu a cegueira.

Assim, nesse meu segundo dia, tentaria sondar a alma do homem por meio de sua arte. Veria então o que conheci pelo tato. Mais maravilhoso ainda, todo o magnífico mundo da pintura me seria apresentado. Mas eu poderia ter apenas uma impressão superficial. Dizem os pintores que, para se apreciar a arte, real e profundamente, é preciso educar o olhar. É preciso, pela experiência, avaliar o mérito das linhas, da composição, da forma e da cor. Se eu tivesse a visão, ficaria muito feliz por me entregar a um estudo tão fascinante.

À noite de meu segundo dia seria passada no teatro ou no cinema. Como gostaria de ver a figura fascinante de Hamlet ou o tempestuoso Falstaff no colorido cenário elisabetano! Não posso desfrutar da beleza do movimento rítmico senão numa esfera restrita ao toque de minhas mãos. Só posso imaginar vagamente a graça de uma bailarina, como Pavlova, embora conheça algo do prazer do ritmo, pois muitas vezes sinto o compasso da música vibrando através do piso. Imagino que o movimento cadenciado seja um dos espetáculos mais agradáveis do mundo. Entendi algo sobre isso, deslizando os dedos pelas linhas de um mármore esculpido; se essa graça estática pode ser tão encantadora, deve ser mesmo muito mais forte a emoção de ver a graça em movimento.

Na manhã seguinte, ávida por conhecer novos deleites, novas revelações de beleza, mais uma vez receberia a aurora. Hoje, o terceiro dia, passarei no mundo do trabalho, nos ambientes dos homens que tratam do negócio da vida. A cidade é o meu destino.

Primeiro, paro numa esquina movimentada, apenas olhando para as pessoas, tentando, por sua aparência, entender algo sobre seu dia-a-dia. Vejo sorrisos e fico feliz. Vejo uma séria determinação e me orgulho. Vejo o sofrimento e me compadeço.

Caminhando pela 5ª Avenida, em Nova York, deixo meu olhar vagar, sem se fixar em nenhum objeto em especial, vendo apenas um caleidoscópio fervilhando de cores. Tenho certeza de que o colorido dos vestidos das mulheres movendo-se na multidão deve ser uma cena espetacular, da qual eu nunca me cansaria. Mas talvez, se pudesse enxergar, eu seria como a maioria das mulheres – interessadas demais na moda para dar atenção ao esplendor das cores em meio à massa.

Da 5ª Avenida dou um giro pela cidade – vou aos bairros pobres, às fábricas, aos parques onde as crianças brincam. Viajo pelo mundo visitando os bairros estrangeiros. E meus olhos estão sempre bem abertos tanto para as cenas de felicidade quanto para as de tristeza, de modo que eu possa descobrir como as pessoas vivem e trabalham, e compreendê-las melhor.

Meu terceiro dia de visão está chegando ao fim. Talvez haja muitas atividades a que devesse dedicar as poucas horas restantes, mas acho que na noite desse último dia vou voltar depressa a um teatro e ver uma peça cômica, para poder apreciar as implicações da comédia no espírito humano.

À meia-noite, uma escuridão permanente outra vez se cerraria sobre mim. Claro, nesses três curtos dias eu não teria visto tudo que queria ver. Só quando as trevas descessem de novo é que me daria conta do quanto eu deixei de apreciar.

Talvez este resumo não se adapte ao programa que você faria se soubesse que estava prestes a perder a visão. Mas sei que, se encarasse esse destino, usaria seus olhos como nunca usara antes. Tudo quanto visse lhe pareceria novo. Seus olhos tocariam e abraçariam cada objeto que surgisse em seu campo visual. Então, finalmente, você veria de verdade, e um novo mundo de beleza se abriria para você.

Eu, que sou cega, posso dar uma sugestão àqueles que vêem: usem seus olhos como se amanhã fossem perder a visão. E o mesmo se aplica aos outros sentidos. Ouça a música das vozes, o canto dos pássaros, os possantes acordes de uma orquestra, como se amanhã fossem ficar surdos. Toquem cada objeto como se amanhã perdessem o tato. Sintam o perfume das flores, saboreiem cada bocado, como se amanhã não mais sentissem aromas nem gostos. Usem ao máximo todos os sentidos; goze de todas as facetas do prazer e da beleza que o mundo lhes revela pelos vários meios de contacto fornecidos pela natureza. Mas, de todos os sentidos, estou certa de que a visão deve ser o mais delicioso."

Doces visões para todos!
Suaves brisas...

Carla
# Soprado aos quatro ventos pela Brisa | Agora já é ventania... (3)
Eu acho que nosso maior mal é ficar chorando o que perdemos sem tentar aproveitar o que ainda nos resta. Beijo!
Bisa Maith | Homepage | 01.03.05 - 2:32 pm | #

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 Parabéns pelo magnífico texto!
realmente a vida passa fazendo um alrde enorme e não conseguimos ouvir,qto mais ver a explosão de vida que acontece todos os dias!Amei ter estado aqui depois de muito tempo.Um beijo lindinha e que sua semana seja cheia de cores e amores.
Patricia | Homepage | 28.02.05 - 1:26 pm | #

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 Emocionou-me esse texto e fico aqui pensando: qto de tudo isso q foi relatado nós deixamos passar em branco? Ou por falta de tempo, ou por termos prioridades inadiaveis...e o tempo passa e qdo percebemos, estamos cegos. Cegos do coração...Bjos e muito obrigada por mais essa lição!
Lakota | Homepage | 28.02.05 - 1:12 pm | #


domingo, 20 de fevereiro de 2005

Aniversário de um ano!!!

Queridos!!!

Então, dia 21 de fevereiro este blog fará um ano.
Tudo nasceu de uma das muitas conversas com Wagner, em que eu, plenamente analfabeta sobre essas coisas de informática, pedi: um dia me ensina a fazer um blog?
Poucos minutos depois surgia o Pensamentos da Brisa.

Um ano depois, posso dizer que aqui escrevi revelando-me, outras vezes escrevi instruindo-me, diversas vezes escrevi aliviando-me e se feri alguém com palavras não tão gentis, peço desculpas.

Aqui pude encontrar os tais "contatos", alguns dos quais se tornaram amigos.
Gente que nunca vi, gente que tenho intenção de encontrar, gente que de alguma forma recebe meu carinho, como recebo o deles também.

Enganei-me muitas vezes achando que as pessoas para as quais a gente mais se desdobrava, seriam pródigas da mesma atenção; como pessoas que não cuidava com tanto zelo, e que me foram essenciais, diria imprescindíveis, em momentos difíceis desse ano findo.

O objetivo do blog, no entanto, foi levar, com palavras, o que eu levaria, com olhares e carinhos, se estivesse pertinho de ti: um alento, um refrigério, uma pequena pausa, um incentivo, um sorriso de reflexão, uma nova esperança.
Foi e continua sendo.
Sem pretensão de resolver problema algum, nem de ministrar lição a quem quer que seja, mas dar tempo a que tu descubras a sabedoria imensa, toda força que existe dentro de ti.

Mantive-me fiel a esse objetivo? Não!!! Muitas vezes as palavras aqui ditas eram um enorme pedido de socorro para mim. :)

Tudo bem, também preciso de incentivo e refrigério, e os comentários, de vocês para mim, hão de ter sido úteis, não só para mim, mas para outros visitantes, quem sabe atravessando as mesmas estradas... Por isso falem sempre!

E, para dar algo de substancioso a essa prosa, vou transcrever aqui a passagem de um livro que há muito desejava ler e só agora tenho em mãos. Sobre o livro, por enquanto posso dizer que conheci-o através da biografia de personalidades que admiro e que ele foi escrito em plena Idade Média, de um monge para outros monges.

Eis então as palavras que têm sido minha meditação desses dias:

"Não se há de ter grande confiança no homem frágil e mortal, por mais que nos seja caro e útil; nem nos devemos afligir com excessos, porque, de vez em quando, ele nos contraria com palavras ou obras.
Os que hoje estão contigo, amanhã talvez sejam contra ti, e reciprocamente, pois que os homens mudam como o vento.
(...)
Todas passam, e tu igualmente passas com elas; toma cuidado para não te apegares a elas, a fim de que não te escravizem e te percam."

Tomás de Kempis (1380-1471), in Imitação de Cristo.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2005

Fotos de feriado

Hoje, se pudesse, só publicaria imagens...
Imagens que foram pouco a pouco captadas ao longo do dia como fotografias

O sol filtrado pela cortina do quarto de manhã
O biquini vermelho usado pela primeira vez
A rua deserta, quase, só vento nas árvores
O caminho do Alto, curvas verdes de folhagens debruçadas
As cascatinhas plenas de água jorrando, por causa das chuvas de antes
O filete escuro qual sangue escorrendo pela testa e nariz da Pedra da Gávea
Os avisos de área de risco nas encostas úmidas
O sol pleno na expectativa do som das ondas quebrando longe por detrás das montanhas
As pessoas todas chegando!
E com as pessoas, os sorrisos, apetrechos, alegrias a serem vividas
A vaga encontrada com o guardador de chapéu branco
A sandália trocada pelos chinelos
A areia redescoberta, pequenas pedrinhas transparentes e translúcidas,
Todas suavemente arredondadas
Conchas em profusão
A plaquinha vermelha dizendo algo que a miopia não conseguiu desvendar
Salva-vidas por perto
Helicóptero e surfistas
E o mar, todo ele, ondas abruptas, maiores que eu!
O mar, todo ele, um poço de lágrimas
Cabelos sacudidos ao vento... cheio de areia! :)
A brisa respingada de água do mar, soprada constantemente...
Sal sobre a pele
A Pedra da Gávea, agora seca e plena, contrastando escura o céu azul
O tempo, o vento, o sol...
A mão na janela a sentir a velocidade do carro
O desgaste arredondado das areias da praia ainda em meus cabelos
A rosa vermelha desabrochando hoje em minha janela
A certeza infinita de que tudo passa
Tudo passa...

Brisas perfumadas de sal e luz!
Carla

# Soprado aos quatro ventos pela Brisa | Um vento soprado... (1)
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De sopros a ventanias...

 Obrigado !!!!!

Por este porto seguro de inteligência, vida e bons ares !!!

Te encontrei depois de uma navegada solitária de blog em blog sempre encontrando as maiores nulidades possíveis.

Você me trouxe os climas de que precisava, as cores que eu gosto os perfumes que procuro.

Obrigado por existir !

Continue assim.
Paulo | 28.03.05 - 1:23 am | #

segunda-feira, 31 de janeiro de 2005

Sobre o tecer


"É tecer o tecido com fios desfiados de vosso próprio coração, como se vosso bem-amado fosse usar esse tecido." Gibran Khalil Gibran

Fiar

Quisera tecer em palavras os fios dessa saudade
Fios escuros de noites em claro
Fios claros de conversas obscuras
Fios delicados de poemas inconfessos
Fios de pensamento religados no Universo...
Fios de internet, fios de eletricidade
Fios de magnetismo espiritual e humano
Fios de mensagens digitadas e impressas
Fios de palavras nunca ditas...
Fios coloridos de sonhos compartilhados
Fios tênues de tristezas divididas
Fios fortes de certezas encontradas
Fios transparentes de verdades reveladas
Fios de prece, fios de medo
Fios de maldade e bondade entrelaçados
Fios de doce e amargo em nossa boca
Fios de suspiros e merenguinhos e pastelinas
Fios de anatomia do corpo e da língua falada
Fios de sotaques e melodias diferentes
Fios de canções e músicas
Fios de silêncio e contemplação
Fios tantos, de tantos jeitos
Que emaranhados em tua teia, em minha teia, estamos
Em todos os fios juntos, em fios de amor...
Fios de amor que desmancham
Todos os outros fios...
Fios de amor que recompõem
Fios de saudade e esperança
Desfiados todos nas letras desse poema
Que não pude escrever pra ti...


Desfiar

Fios todos, de tantas amarrações
Fios desfeitos mil vezes, subitamente
Reatados nós, mil vezes, cada vez
Tempestades - cada raio - um ponto desfeito

Hoje os laços se desmancham naturalmente
Os gostos descobertos
Os gostos diferentes
Desfiados, quase todos...

Pipas ou pandorgas - livres
Botes e veleiros - livres
Sonhos, esperanças - livres
Fios coloridos no azul do céu

Apenas um fio permanece

Por sobre todos os tempos e distâncias
Por sobre todos os gostos e caminhos
Feito seda, feito nylon, feito aço
Forte, extenso, invisível

Fio de amor - cada dia mais sublimado
Fio de luz - alimentando serena felicidade
Fio de olhar - todo ele silencioso não-dizer
Fio de desfiar, libertar, viver

Em paz!

Brisas, todas, amenas!
Carla

# Soprado aos quatro ventos pela Brisa | Agora já é ventania... (4)
De sopros a ventanias...

Quanta energia boa sinto aqui. Versos na brisa e a brisa é sensível. Obrigada por compartilhar suas emoções conosco. Bjs.
Luciana | Homepage | 03.02.05 - 12:30 pm | #

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 Doces ventanias que nos levam a grandes feitos.
Beijos, meu novo end.
Manu | Homepage | 02.02.05 - 3:03 pm | #

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 Oba, gente sensível aqui. Abraços, Marcelino
Marcelino | Homepage | 01.02.05 - 6:54 pm | #

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Bom, não tem muito o que dizer ! Lindo o texto, estás (como sempre) de parabéns !
Brother Wolf | Homepage | 31.01.05 - 9:24 pm | #

terça-feira, 25 de janeiro de 2005

Mensagem secreta!

Queridos!

Naturalmente posso contar com a discrição de vocês de não sair espalhando por aí...
Eis então a mensagem secreta!

Acho que nunca terei coragem de dizer
Porque só de pensar na possibilidade...
Bom, choro mesmo!

Mas aquele dia, aquela cena...
Tão banal pra tanta gente
Foi um ápice de felicidade pra mim!

A gente no carro,
Subindo o alto...
Chovendo e frio (por causa do ar, claro!)
E tua voz cantando com a minha
A plenos pulmões...

"O amor é o calor que aquece a alma
O amor tem sabor pra quem bebe a sua água"

E risos...

"Faz muito tempo, mas eu me lembro você implicava comigo
Mas hoje eu vejo que tanto tempo me deixou muito mais calma
O meu comportamento egoísta, o seu temperamento difícil
Você me achava meio esquisita e eu te achava tão chata

Mas tudo que acontece na vida tem um momento e um destino
Viver é uma arte, é um ofício
Só que precisa cuidado
Prá perceber que olhar só prá dentro é o maior desperdício
O teu amor pode estar do seu lado

O amor é o calor que aquece a alma
O amor tem sabor prá quem bebe a sua água"

(Do seu lado... do Nando Reis, na voz gostosa do Jota Quest... na ordem dos sonhos da minha memória!)

Te amo tanto, mãe!
Como te admiro!
Te ouvir rir assim é tão bom!

Beijinhos e brisas!

Não vão contar, hein!
Beijos e carinhos de brisas pra vocês também!

Carla

# Soprado aos quatro ventos pela Brisa | Agora já é ventania... (5)
Oi! A gente está se desencontrando hoje. Passei a manhã inteira no msn, e agora são 14:15 e tenho que sair. Acho que devem ser 10:15 aí? Quem sabe de noite a gente se vê, não sei que horas estarei online.
Um abraco!
Andrea | 29.01.05 - 9:21 am | #

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Que texto lindo!
É uma música? Achei que fosse poesia.
Beijos!
Andrea | 29.01.05 - 7:06 am | #

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Como sempre, belas palavras em um visual maravilhoso. Bjs.
Luciana | Homepage | 27.01.05 - 12:48 pm | #

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Eu adoro essa musica!!E de onde é o Jota Quest? Da minha terra!!!!rsrssr. BJos moça!!
Lakota | 27.01.05 - 9:23 am | #

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Carlinha..
Este é o verdadeiro sentimento, acho que se todos agíssemos de forma sincera sem medo de dizer a verdade teríamos menos maldades..
Mas todo mundo aprende né..
Um Super Beijo e parabéns
Manu | Homepage | 26.01.05 - 2:33 pm | #

sábado, 22 de janeiro de 2005

Sobre o não saber

Ele era um menino quieto, o que era um alívio para os adultos em volta…
Alívio?

Aos cinco anos, sua professora de jardim pediu aos alunos que fizessem um desenho de alguma coisa que eles amavam.
E ele, silenciosamente, desenhou a sua família.
Depois, traçou um grande círculo com lápis vermelho ao redor das figuras.
Ele olhou, olhou… Acima do círculo, ele queria escrever algo importante… mas ele ainda não sabia escrever.
Então, ele saiu de sua mesinha e foi até à mesa da professora.
"Professora, como a gente escreve…?"
Ela não o deixou concluir a pergunta. Mandou-o voltar para o seu lugar e não se atrever mais a interromper a aula.
Ele dobrou o papel e o guardou no bolso.

Quando voltou para casa, naquele dia, ele se lembrou do desenho e o tirou do bolso.
Alisou-o bem sobre a mesa da cozinha, foi até sua mochila, pegou um lápis e olhou para o grande círculo vermelho.
Sua mãe estava preparando o jantar, indo e vindo do fogão para a pia, para a mesa.
Ele queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para ela.
"Mamãe, como a gente escreve…?"
"Menino, não dá para ver que estou ocupada agora? Vá brincar lá fora. E não bata a porta."
Ele dobrou o desenho e o guardou no bolso.

Naquela noite, ele tirou outra vez o desenho do bolso.
Olhou para o grande círculo vermelho, foi até à cozinha e pegou o lápis.
Ele queria terminar o desenho antes de mostrá-lo para seu pai.
Alisou bem as dobras e colocou o desenho no chão da sala, perto da poltrona reclinável do seu pai.
"Papai, como a gente escreve…?"
"Ei, estou lendo o jornal e não quero ser interrompido. Vá brincar lá fora. E não bata a porta."
O garoto dobrou o desenho e o guardou no bolso.

No dia seguinte, quando sua mãe separava a roupa para lavar, encontrou no bolso da calça do filho enrolados num papel, uma pedrinha, um pedaço de barbante e duas bolinhas de gude.
Todos os tesouros que ele catara enquanto brincava fora de casa.
Ela nem abriu o papel. Atirou tudo no lixo.

Os anos rolaram…
Quando aquele menino já tinha 28 anos, sua filha de cinco anos fez um desenho.
Era o desenho de sua família. O pai riu quando ela apontou uma figura alta, de forma indefinida e disse:
"Este aqui é você, papai!"
A garotinha também riu.
O pai olhou pra o grande círculo vermelho feito por sua filha, ao redor das figuras e lentamente começou a passar o dedo sobre o círculo.
Ela desceu rapidamente do colo do pai e avisou: "eu volto logo!"
E voltou. Com um lápis na mão. Acomodou-se outra vez nos joelhos do pai, posicionou a ponta do lápis perto do topo do grande círculo vermelho e perguntou:
"Papai, como a gente escreve...

...amor?"

Ele abraçou a filha, tomou a sua mãozinha e a foi conduzindo, devagar, ajudando-a a formar as letras, enquanto dizia:
"Amor, querida, amor se escreve com as letras

T E M P O."

Quanto tempo leva para descobrirmos o tempo perdido? O amor desperdiçado?

Quanto tempo quietos dobrando mil vezes o mesmo desenho, procurando saber…

Há os que gritam, incomodam… a ânsia de saber é a mesma…

E os silenciosos?

O tempo é questão de escolha…

Todas as brisas… todo o tempo!
Carla

Baseado no capítulo Círculo de amor, de Jeannie S. Williams, do livro Histórias para o coração da mulher, de Alice Gray, Editora United Press, 2002.
# Soprado aos quatro ventos pela Brisa | Sopre seus ventos (0)

sábado, 15 de janeiro de 2005

À beira do fogo

É tão bom te ouvir sorrir
Como ouvir um regato a correr
Às vezes diviso em teu olhar
Paisagens perdidas, pastos, montanhas
Um cheiro de lendas às vezes te envolve
Teus cabelos lisos escorrem estrelas
De noites inteiras à beira do fogo
Tão perto de Deus
Tua voz, de repente, me soa
Silente, como vento a roçar as árvores
Às vezes, no vento, a fúria das tempestades
Às vezes, diviso, miragens
Que se dissipam no teu jeito alegre
Que de repente... de novo!
Inventa de reinventar o vento
Que sopra de ti
Em noites inteiras passadas
À beira do fogo presente
Tão perto de Deus... futuro!
Futuro tão perto...

Brisas nas brasas
Dormidas do teu coração!

Carla
# Soprado aos quatro ventos pela Brisa | Um vento soprado... (1)
Adorei o novo visual! E amei a poesia!
Tenha um fim de semana fantasticamente bom!
Letícia | Homepage | 21.01.05 - 4:08 pm | #

domingo, 9 de janeiro de 2005

Viva em paz

Queridos!

Começo de ano, praticamente todos os votos trocados pedem por PAZ!
Muito mais do que saúde e prosperidade, a Paz tem sido o item em pauta esses dias...
E, dentre todas as mensagens que já li, esta veio como tornado despertador.
Estou meio jibóia do Pequeno Príncipe (lembra, logo no início do livro?), digerindo as verdades que encontrei nela.
A impressão que tenho é que vou passar a vida inteira pensando e tentando me aproximar disso...
Talvez tenha chegado mesmo a hora de amadurecer.

Esperando que seja útil também a vocês, queridos...
Com votos de verdadeira paz!
Viva em Paz

Você é membro da família universal.
A importância que se atribui ou não, tem a dimensão que você lhe dá.

Porque não é o centro da vida, despreocupe-se em relação aos outros.
Não se importe se é ou não amado; se lhe oferecem ou não bondade; se é aceito ou rejeitado.

Quando alguém usar de violência ou de generosidade em relação a você, descarte qualquer merecimento nessa ocorrência.
Você é somente pretexto para que o próximo se desvele.

Quando alguém o agrida ou ame, a si próprio se violenta ou se estima.
Você é apenas o móvel daquela manifestação que está latente nele.
Não fosse você e aquela exteriorização seria dirigida a outrem.
Por isso, não se agaste com ninguém ou coisa nenhuma.

Quando você se irrita ou se pacifica com uma pessoa, ela foi só o motivo da sua realidade íntima, que então se irradia do seu mundo interior.
Trabalhe-se intimamente, domando as suas paixões de qualquer espécie.
Auto-analise-se com severidade.

O que você vê fora, resulta do que você cultiva por dentro.
O conceito que você supõe que os outros fazem a seu respeito é o conceito que você faz de si mesmo.

Ao compreender que tudo é conforme a sua própria realidade e que você deve melhorar-se sem a presunção de modificar os outros, você principiará a viver em paz, sem que lhe atinjam o elogio ou a calúnia, o apoio ou a repreensão...

Você faz parte da vida e é vida em desdobramento na direção da Vida plena.
Assuma o seu papel e execute a sua parte, na esfera do seu autoburilamento espiritual.

Marco Prisco

Todo meu carinho em brisas,
Carla
# Soprado aos quatro ventos pela Brisa | Sopre seus ventos (0)

sábado, 1 de janeiro de 2005

Amizade

Queridos

Doce é começar (ou recomeçar) falando sobre amizade.
Deixo aqui um texto de Gibran, do livro O Profeta.

Para cada amigo, especial como cada um é, uma brisa também especial.
Um alento, um afago, um sorriso...
E todo meu amor nas letras.

"E um adolescente disse: "Fala-nos da amizade".
E ele respondeu, dizendo:
"Vosso amigo é a satisfação de vossas necessidades.
Ele é o campo que semeais com carinho e ceifais com agradecimento.
É vossa mesa e vossa lareira.
Pois ides a ele com vossa fome e o procurais em busca de paz.
Quando vosso amigo manifesta seu pensamento, não temais o 'não' de vossa própria opinião, nem prendais o 'sim'.
E quando ele se cala, que vosso coração continue a ouvir o seu coração.
Porque na amizade, todos os desejos, ideais, esperanças nascem e são partilhados sem palavras, numa alegria silenciosa.
Quando vos separais de vosso amigo, não vos aflijais.
Pois o que amais nele pode tornar-se mais claro na sua ausência, como para o alpinista a montanha aparece mais clara, vista da planície.
E que não haja outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento do espírito.
Pois o amor que procura outra coisa a não ser a revelação de seu próprio mistério não é amor, mas uma rede armada, e somente o inaproveitável é nela apanhado.
E que o melhor de vós próprios seja para vosso amigo.
Se ele deve conhecer o fluxo de vossa maré, que conheça também o seu refluxo.
Pois, que achais seja vosso amigo para que o procureis somente a fim de matar o tempo?
Procurai-o sempre com horas para viver:
Pois o papel do amigo é o de encher vossa necessidade, e não vosso vazio.
E na doçura da amizade, que haja risos e o partilhar dos prazeres.
Pois no orvalho de pequenas coisas, o coração encontra sua manhã e se sente refrescado."

Feliz 2005!
Que teus olhos possam sempre ver os amigos presentes em teu caminho!
Eu entre eles!
Beijos e brisas!

Carla
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