É tão bom te ouvir sorrir
Como ouvir um regato a correr
Às vezes diviso em teu olhar
Paisagens perdidas, pastos, montanhas
Um cheiro de lendas às vezes te envolve
Teus cabelos lisos escorrem estrelas
De noites inteiras à beira do fogo
Tão perto de Deus
Tua voz, de repente, me soa
Silente, como vento a roçar as árvores
Às vezes, no vento, a fúria das tempestades
Às vezes, diviso, miragens
Que se dissipam no teu jeito alegre
Que de repente... de novo!
Inventa de reinventar o vento
Que sopra de ti
Em noites inteiras passadas
À beira do fogo presente
Tão perto de Deus... futuro!
Futuro tão perto...
Brisas nas brasas
Dormidas do teu coração!
Carla
# Soprado aos quatro ventos pela Brisa | Um vento soprado... (1)
Adorei o novo visual! E amei a poesia!
Tenha um fim de semana fantasticamente bom!
Letícia | Homepage | 21.01.05 - 4:08 pm | #
Vivendo, pensando, amando!
Poemas, poesias, pensamentos e incentivos pra você ir leve e feliz com o vento...
"E eu amarei o barulho do vento no trigo..." Exupéry
sábado, 15 de janeiro de 2005
domingo, 9 de janeiro de 2005
Viva em paz
Queridos!
Começo de ano, praticamente todos os votos trocados pedem por PAZ!
Muito mais do que saúde e prosperidade, a Paz tem sido o item em pauta esses dias...
E, dentre todas as mensagens que já li, esta veio como tornado despertador.
Estou meio jibóia do Pequeno Príncipe (lembra, logo no início do livro?), digerindo as verdades que encontrei nela.
A impressão que tenho é que vou passar a vida inteira pensando e tentando me aproximar disso...
Talvez tenha chegado mesmo a hora de amadurecer.
Esperando que seja útil também a vocês, queridos...
Com votos de verdadeira paz!
Viva em Paz
Você é membro da família universal.
A importância que se atribui ou não, tem a dimensão que você lhe dá.
Porque não é o centro da vida, despreocupe-se em relação aos outros.
Não se importe se é ou não amado; se lhe oferecem ou não bondade; se é aceito ou rejeitado.
Quando alguém usar de violência ou de generosidade em relação a você, descarte qualquer merecimento nessa ocorrência.
Você é somente pretexto para que o próximo se desvele.
Quando alguém o agrida ou ame, a si próprio se violenta ou se estima.
Você é apenas o móvel daquela manifestação que está latente nele.
Não fosse você e aquela exteriorização seria dirigida a outrem.
Por isso, não se agaste com ninguém ou coisa nenhuma.
Quando você se irrita ou se pacifica com uma pessoa, ela foi só o motivo da sua realidade íntima, que então se irradia do seu mundo interior.
Trabalhe-se intimamente, domando as suas paixões de qualquer espécie.
Auto-analise-se com severidade.
O que você vê fora, resulta do que você cultiva por dentro.
O conceito que você supõe que os outros fazem a seu respeito é o conceito que você faz de si mesmo.
Ao compreender que tudo é conforme a sua própria realidade e que você deve melhorar-se sem a presunção de modificar os outros, você principiará a viver em paz, sem que lhe atinjam o elogio ou a calúnia, o apoio ou a repreensão...
Você faz parte da vida e é vida em desdobramento na direção da Vida plena.
Assuma o seu papel e execute a sua parte, na esfera do seu autoburilamento espiritual.
Marco Prisco
Todo meu carinho em brisas,
Carla
# Soprado aos quatro ventos pela Brisa | Sopre seus ventos (0)
Começo de ano, praticamente todos os votos trocados pedem por PAZ!
Muito mais do que saúde e prosperidade, a Paz tem sido o item em pauta esses dias...
E, dentre todas as mensagens que já li, esta veio como tornado despertador.
Estou meio jibóia do Pequeno Príncipe (lembra, logo no início do livro?), digerindo as verdades que encontrei nela.
A impressão que tenho é que vou passar a vida inteira pensando e tentando me aproximar disso...
Talvez tenha chegado mesmo a hora de amadurecer.
Esperando que seja útil também a vocês, queridos...
Com votos de verdadeira paz!
Viva em Paz
Você é membro da família universal.
A importância que se atribui ou não, tem a dimensão que você lhe dá.
Porque não é o centro da vida, despreocupe-se em relação aos outros.
Não se importe se é ou não amado; se lhe oferecem ou não bondade; se é aceito ou rejeitado.
Quando alguém usar de violência ou de generosidade em relação a você, descarte qualquer merecimento nessa ocorrência.
Você é somente pretexto para que o próximo se desvele.
Quando alguém o agrida ou ame, a si próprio se violenta ou se estima.
Você é apenas o móvel daquela manifestação que está latente nele.
Não fosse você e aquela exteriorização seria dirigida a outrem.
Por isso, não se agaste com ninguém ou coisa nenhuma.
Quando você se irrita ou se pacifica com uma pessoa, ela foi só o motivo da sua realidade íntima, que então se irradia do seu mundo interior.
Trabalhe-se intimamente, domando as suas paixões de qualquer espécie.
Auto-analise-se com severidade.
O que você vê fora, resulta do que você cultiva por dentro.
O conceito que você supõe que os outros fazem a seu respeito é o conceito que você faz de si mesmo.
Ao compreender que tudo é conforme a sua própria realidade e que você deve melhorar-se sem a presunção de modificar os outros, você principiará a viver em paz, sem que lhe atinjam o elogio ou a calúnia, o apoio ou a repreensão...
Você faz parte da vida e é vida em desdobramento na direção da Vida plena.
Assuma o seu papel e execute a sua parte, na esfera do seu autoburilamento espiritual.
Marco Prisco
Todo meu carinho em brisas,
Carla
# Soprado aos quatro ventos pela Brisa | Sopre seus ventos (0)
sábado, 1 de janeiro de 2005
Amizade
Queridos
Doce é começar (ou recomeçar) falando sobre amizade.
Deixo aqui um texto de Gibran, do livro O Profeta.
Para cada amigo, especial como cada um é, uma brisa também especial.
Um alento, um afago, um sorriso...
E todo meu amor nas letras.
"E um adolescente disse: "Fala-nos da amizade".
E ele respondeu, dizendo:
"Vosso amigo é a satisfação de vossas necessidades.
Ele é o campo que semeais com carinho e ceifais com agradecimento.
É vossa mesa e vossa lareira.
Pois ides a ele com vossa fome e o procurais em busca de paz.
Quando vosso amigo manifesta seu pensamento, não temais o 'não' de vossa própria opinião, nem prendais o 'sim'.
E quando ele se cala, que vosso coração continue a ouvir o seu coração.
Porque na amizade, todos os desejos, ideais, esperanças nascem e são partilhados sem palavras, numa alegria silenciosa.
Quando vos separais de vosso amigo, não vos aflijais.
Pois o que amais nele pode tornar-se mais claro na sua ausência, como para o alpinista a montanha aparece mais clara, vista da planície.
E que não haja outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento do espírito.
Pois o amor que procura outra coisa a não ser a revelação de seu próprio mistério não é amor, mas uma rede armada, e somente o inaproveitável é nela apanhado.
E que o melhor de vós próprios seja para vosso amigo.
Se ele deve conhecer o fluxo de vossa maré, que conheça também o seu refluxo.
Pois, que achais seja vosso amigo para que o procureis somente a fim de matar o tempo?
Procurai-o sempre com horas para viver:
Pois o papel do amigo é o de encher vossa necessidade, e não vosso vazio.
E na doçura da amizade, que haja risos e o partilhar dos prazeres.
Pois no orvalho de pequenas coisas, o coração encontra sua manhã e se sente refrescado."
Feliz 2005!
Que teus olhos possam sempre ver os amigos presentes em teu caminho!
Eu entre eles!
Beijos e brisas!
Carla
# Soprado aos quatro ventos pela Brisa | Sopre seus ventos (0)
Doce é começar (ou recomeçar) falando sobre amizade.
Deixo aqui um texto de Gibran, do livro O Profeta.
Para cada amigo, especial como cada um é, uma brisa também especial.
Um alento, um afago, um sorriso...
E todo meu amor nas letras.
"E um adolescente disse: "Fala-nos da amizade".
E ele respondeu, dizendo:
"Vosso amigo é a satisfação de vossas necessidades.
Ele é o campo que semeais com carinho e ceifais com agradecimento.
É vossa mesa e vossa lareira.
Pois ides a ele com vossa fome e o procurais em busca de paz.
Quando vosso amigo manifesta seu pensamento, não temais o 'não' de vossa própria opinião, nem prendais o 'sim'.
E quando ele se cala, que vosso coração continue a ouvir o seu coração.
Porque na amizade, todos os desejos, ideais, esperanças nascem e são partilhados sem palavras, numa alegria silenciosa.
Quando vos separais de vosso amigo, não vos aflijais.
Pois o que amais nele pode tornar-se mais claro na sua ausência, como para o alpinista a montanha aparece mais clara, vista da planície.
E que não haja outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento do espírito.
Pois o amor que procura outra coisa a não ser a revelação de seu próprio mistério não é amor, mas uma rede armada, e somente o inaproveitável é nela apanhado.
E que o melhor de vós próprios seja para vosso amigo.
Se ele deve conhecer o fluxo de vossa maré, que conheça também o seu refluxo.
Pois, que achais seja vosso amigo para que o procureis somente a fim de matar o tempo?
Procurai-o sempre com horas para viver:
Pois o papel do amigo é o de encher vossa necessidade, e não vosso vazio.
E na doçura da amizade, que haja risos e o partilhar dos prazeres.
Pois no orvalho de pequenas coisas, o coração encontra sua manhã e se sente refrescado."
Feliz 2005!
Que teus olhos possam sempre ver os amigos presentes em teu caminho!
Eu entre eles!
Beijos e brisas!
Carla
# Soprado aos quatro ventos pela Brisa | Sopre seus ventos (0)
domingo, 26 de dezembro de 2004
Um jeito de te despertar
Eis-me aqui!
Tu dormes ainda
E vejo-te com ternuras maternas
Ainda um pouco, e acordarás...
O dia te trará surpresas tantas, amado meu
Eis-me aqui!
Tu não me verás...
Como não vês a outros tantos amigos
Que vivem em torno de ti
Tu não nos reconhecerás...
Terás apenas breves impressões
Como despertar de um sonho bom
Impressões que, se quiseres,
Ser-te-ão suficientes!
Eis agora,
Estás no breve minuto antes do pleno despertar
Sei que me entrevês a sorrir
A acariciar-te o rosto e os cabelos...
A envolver-te nos mais belos sentimentos
Materializo ternuras outras em torno de ti
Perfumes de jasmins
Brisas de esperança
Pensamentos de paz...
Meu sorriso se te confundirá com o próprio sol
Que entra em claridade em teu quarto
Tu me ouves, ainda?
Bom dia, amado meu!
Sê feliz!
Deus te abençoe os passos!
Desperta!
Hoje aprendo a despertar amigos assim
Porque tive de ti, amado amigo de eras priscas
A ventura de ver-te e lembrar!
Bom dia a todos!
Com carinhos de brisas
Tu dormes ainda
E vejo-te com ternuras maternas
Ainda um pouco, e acordarás...
O dia te trará surpresas tantas, amado meu
Eis-me aqui!
Tu não me verás...
Como não vês a outros tantos amigos
Que vivem em torno de ti
Tu não nos reconhecerás...
Terás apenas breves impressões
Como despertar de um sonho bom
Impressões que, se quiseres,
Ser-te-ão suficientes!
Eis agora,
Estás no breve minuto antes do pleno despertar
Sei que me entrevês a sorrir
A acariciar-te o rosto e os cabelos...
A envolver-te nos mais belos sentimentos
Materializo ternuras outras em torno de ti
Perfumes de jasmins
Brisas de esperança
Pensamentos de paz...
Meu sorriso se te confundirá com o próprio sol
Que entra em claridade em teu quarto
Tu me ouves, ainda?
Bom dia, amado meu!
Sê feliz!
Deus te abençoe os passos!
Desperta!
Hoje aprendo a despertar amigos assim
Porque tive de ti, amado amigo de eras priscas
A ventura de ver-te e lembrar!
Bom dia a todos!
Com carinhos de brisas
sábado, 11 de dezembro de 2004
Presente
Queridos
Andava eu com um amigo pelo shopping por esses dias...
Vocês imaginam como já não está a correria!
E, de repente, na escada rolante, quando tudo fica meio fora de plano e a visão se amplia, ele me veio com a pergunta mais ouvida por esses dias...
O que gostaria de ganhar de presente?
Na hora, só pensei nas coisas que faltam...
Devo ter dito qualquer bobagem!
Mas a pergunta era pertinente demais pra ser esquecida.
O que gostaria de ganhar de presente?
Então, hoje, lendo o Pássaros Livres, de Rabindranath Tagore, achei!
A resposta que gostaria de ter dado...
A resposta que gostaria de sentir...
O pleno desapego!

"Que queres de mim? indagava o Babaji.
A jovem enamorada pediu-lhe a união matrimonial com o noivo receoso.
O homem inquieto solicitou uma gema, a fim de tranqüilizar-se.
O enfermo em agonia rogou a dádiva da saúde.
A mulher afadigada pelo amor de mãe suplicou poder e fortuna para os filhos dissipadores.
Cada qual revelou ao Mestre a necessidade exterior, demonstrando a grande pobreza de dentro, que os fazia realmente infelizes.
Tu, porém, amigo dos caminhantes da esperança, soubeste apresentar os teus desejos, quando lhe disseste:
"Abençoa minha boca para sempre dizer a verdade sem ferir;
o meu coração para amar e perdoar sem cansaço;
e a minha vida para exemplificar o que recomendo aos outros."
Após dar aos suplicantes o que não tinha valor e eles ambicionavam, o Babaji ofereceu-te as bênçãos da sabedoria desejada e deu-te a mais um sorriso de apoio e certeza de que seguiria contigo para onde quer que fosses."
E você?
O que quer de presente?
:)
Agradecendo a ti, pelo carinho, o passeio e a reflexão!
Um beijo soprado!
Todo meu carinho em brisas!
Carla
Andava eu com um amigo pelo shopping por esses dias...
Vocês imaginam como já não está a correria!
E, de repente, na escada rolante, quando tudo fica meio fora de plano e a visão se amplia, ele me veio com a pergunta mais ouvida por esses dias...
O que gostaria de ganhar de presente?
Na hora, só pensei nas coisas que faltam...
Devo ter dito qualquer bobagem!
Mas a pergunta era pertinente demais pra ser esquecida.
O que gostaria de ganhar de presente?
Então, hoje, lendo o Pássaros Livres, de Rabindranath Tagore, achei!
A resposta que gostaria de ter dado...
A resposta que gostaria de sentir...
O pleno desapego!
"Que queres de mim? indagava o Babaji.
A jovem enamorada pediu-lhe a união matrimonial com o noivo receoso.
O homem inquieto solicitou uma gema, a fim de tranqüilizar-se.
O enfermo em agonia rogou a dádiva da saúde.
A mulher afadigada pelo amor de mãe suplicou poder e fortuna para os filhos dissipadores.
Cada qual revelou ao Mestre a necessidade exterior, demonstrando a grande pobreza de dentro, que os fazia realmente infelizes.
Tu, porém, amigo dos caminhantes da esperança, soubeste apresentar os teus desejos, quando lhe disseste:
"Abençoa minha boca para sempre dizer a verdade sem ferir;
o meu coração para amar e perdoar sem cansaço;
e a minha vida para exemplificar o que recomendo aos outros."
Após dar aos suplicantes o que não tinha valor e eles ambicionavam, o Babaji ofereceu-te as bênçãos da sabedoria desejada e deu-te a mais um sorriso de apoio e certeza de que seguiria contigo para onde quer que fosses."
E você?
O que quer de presente?
:)
Agradecendo a ti, pelo carinho, o passeio e a reflexão!
Um beijo soprado!
Todo meu carinho em brisas!
Carla
# Soprado aos quatro ventos pela Brisa : 13:53
sábado, 4 de dezembro de 2004
Vento nas brasas
Ela se atrasara de propósito, embora conscientemente não tivesse idéia do motivo... Inconscientemente sabia que estava certo assim. Há tanto tempo não se deixava levar pela intuição!
Uma brisa soprava de leve, estranhamente, mas ela não lembrou. Nem cinco minutos depois, na rua repleta de gente, ela o viu de longe, tão longe quanto a lembrança. E todas aquela perguntas óbvias lhe ocuparam a mente: será ele mesmo, quanto tempo faz, como ele estará, e as crianças, quem são...
Todas as perguntas com respostas.
E, naquele mesmo segundo, outra onda quebrou mais forte e ela se lembrou de tudo o que viveram: as conversas intermináveis, os olhares profundos e aquela peculiaridade interessante de bastar pensar nele para ouvir o telefone tocar, ou, se estivesse na rua, e sentisse, de leve, uma brisa a chamar seu nome, era só procurar para vê-lo acenando de dentro de algum ônibus... Era só procurar. E era tudo tão natural que ela nunca tinha reparado nisso. Até hoje.
Estava agora a cinco passos dele... Seria ele mesmo? Poderia ser o irmão... tanto tempo.
Uma grade os separava, os olhares se uniram, ele a chamou pelo nome, ela parou e sorriu.
Era ele.
Como ele estava bonito e tão, mas tão mais velho... cabelos brancos!
De repente, tão de repente quanto o portão se abriu, dez anos se abateram. Como você está? E os pensamentos, sempre tão visívies para os dois, agora assomavam de os assustar.
Mas era preciso falar! Ele desviou o olhar, chamou a esposa, apresentou-a, mas esqueceu de dizer seu nome... Na mente dela, o nome de todas as namoradas desfilaram; a última tinha sido Marta... ela resolveu não arriscar.
É provável que ela realmente não soubesse o quanto o seu olhar perturbava, já que ela não tinha mesmo a menor intenção. Acostumados desde muito cedo a longos períodos silentes, perscrutando-se pelo olhar, foi com um estranho pesar entremeado de alegria que ele, orgulhoso, chamou a moça que segurava uma menina, sua filha, para apresentá-la também.
Aqueles dois olhinhos azuis fitaram a moça parada no portão... O céu todo se abriu num sorriso! Estava nublado, mas, ali, houve sol. Era impossível não reparar. Maria sorria para ela como se a conhecesse de muito tempo mesmo; como se a reconhecesse; como se compreendesse todo o amor do pai por aquela moça, todos os segredos, os dez anos passados, todo o silêncio.... E Maria era um bebê que sorria pleno de olhos azuis para uma moça até então desconhecida!
Despedidas rápidas.
Sorrisos e adeuses.
Lágrimas... sorrisos...
Ondas múltiplas num mar agitado... Os olhos azuis de Maria talvez a chamassem de mãe.
No sorriso de Maria a confirmação de que tudo existiu.
De repente. Calmaria!
Agora, talvez, ela diga a ele, pelo fio do pensamento, como antigamente:
"Como sou feliz de te ver, Marcus Vinicius!
Feliz de ver nos teus olhos a mesma expressão de amor que existiu entre nós, um amor nunca profanado.
Feliz de ter guardado todas as tuas cartas, tua letra de médico antes mesmo de vires a ser um. E o carinho das letras refletido hoje em teu olhar.
Feliz de ver que recusar teu velado pedido de casamento, há tantos anos, foi o certo.
Continuo te amando, como sempre.
E tu também continuas me amando, como sempre.
Prossegue com Deus, eterno amigo de minh'alma, brasa em meu coração.
Tuas palavras últimas seguem sempre comigo, quando citávamos Rochefaucauld:
o tempo aviva os amores reais
e destrói as paixões medíocres
como o vento aviva as brasas
e apaga as velas."
Do outro lado da cidade, agora, ela o vê sorrindo.
Ele se agita, todos reparam, ele queria apenas um minuto a sós consigo mesmo.
Pronto, ele também a viu sorrir.
Tudo é serenidade!
A vida hoje é de uma alegria, uma leveza só compreensível aos que amam...
Tão fácil, tão simples!
Tão amena!
Todas as brisas,
Carla
Uma brisa soprava de leve, estranhamente, mas ela não lembrou. Nem cinco minutos depois, na rua repleta de gente, ela o viu de longe, tão longe quanto a lembrança. E todas aquela perguntas óbvias lhe ocuparam a mente: será ele mesmo, quanto tempo faz, como ele estará, e as crianças, quem são...
Todas as perguntas com respostas.
E, naquele mesmo segundo, outra onda quebrou mais forte e ela se lembrou de tudo o que viveram: as conversas intermináveis, os olhares profundos e aquela peculiaridade interessante de bastar pensar nele para ouvir o telefone tocar, ou, se estivesse na rua, e sentisse, de leve, uma brisa a chamar seu nome, era só procurar para vê-lo acenando de dentro de algum ônibus... Era só procurar. E era tudo tão natural que ela nunca tinha reparado nisso. Até hoje.
Estava agora a cinco passos dele... Seria ele mesmo? Poderia ser o irmão... tanto tempo.
Uma grade os separava, os olhares se uniram, ele a chamou pelo nome, ela parou e sorriu.
Era ele.
Como ele estava bonito e tão, mas tão mais velho... cabelos brancos!
De repente, tão de repente quanto o portão se abriu, dez anos se abateram. Como você está? E os pensamentos, sempre tão visívies para os dois, agora assomavam de os assustar.
Mas era preciso falar! Ele desviou o olhar, chamou a esposa, apresentou-a, mas esqueceu de dizer seu nome... Na mente dela, o nome de todas as namoradas desfilaram; a última tinha sido Marta... ela resolveu não arriscar.
É provável que ela realmente não soubesse o quanto o seu olhar perturbava, já que ela não tinha mesmo a menor intenção. Acostumados desde muito cedo a longos períodos silentes, perscrutando-se pelo olhar, foi com um estranho pesar entremeado de alegria que ele, orgulhoso, chamou a moça que segurava uma menina, sua filha, para apresentá-la também.
Aqueles dois olhinhos azuis fitaram a moça parada no portão... O céu todo se abriu num sorriso! Estava nublado, mas, ali, houve sol. Era impossível não reparar. Maria sorria para ela como se a conhecesse de muito tempo mesmo; como se a reconhecesse; como se compreendesse todo o amor do pai por aquela moça, todos os segredos, os dez anos passados, todo o silêncio.... E Maria era um bebê que sorria pleno de olhos azuis para uma moça até então desconhecida!
Despedidas rápidas.
Sorrisos e adeuses.
Lágrimas... sorrisos...
Ondas múltiplas num mar agitado... Os olhos azuis de Maria talvez a chamassem de mãe.
No sorriso de Maria a confirmação de que tudo existiu.
De repente. Calmaria!
Agora, talvez, ela diga a ele, pelo fio do pensamento, como antigamente:
"Como sou feliz de te ver, Marcus Vinicius!
Feliz de ver nos teus olhos a mesma expressão de amor que existiu entre nós, um amor nunca profanado.
Feliz de ter guardado todas as tuas cartas, tua letra de médico antes mesmo de vires a ser um. E o carinho das letras refletido hoje em teu olhar.
Feliz de ver que recusar teu velado pedido de casamento, há tantos anos, foi o certo.
Continuo te amando, como sempre.
E tu também continuas me amando, como sempre.
Prossegue com Deus, eterno amigo de minh'alma, brasa em meu coração.
Tuas palavras últimas seguem sempre comigo, quando citávamos Rochefaucauld:
o tempo aviva os amores reais
e destrói as paixões medíocres
como o vento aviva as brasas
e apaga as velas."
Do outro lado da cidade, agora, ela o vê sorrindo.
Ele se agita, todos reparam, ele queria apenas um minuto a sós consigo mesmo.
Pronto, ele também a viu sorrir.
Tudo é serenidade!
A vida hoje é de uma alegria, uma leveza só compreensível aos que amam...
Tão fácil, tão simples!
Tão amena!
Todas as brisas,
Carla
segunda-feira, 29 de novembro de 2004
Uma feliz (re)descoberta...
Queridos!
Hoje com a chuva maravilhosa que cai sobre a nossa cidade, tive o prazer de ouvir rádio como antigamente, programação inteira, de dialogar com o locutor, respondendo as propostas, rindo a riso solto, cantando alto... (e traduzindo o eufemismo - enorme engarrafamento!)
Hoje com a chuva que limpa e regenera, voltei aos estudos e redescobri um prazer há muito esquecido. Como é que se pode esquecer algo que nos dá tanto prazer? Isso acontece também com vocês?
Estudei como não fazia há muitos meses... de não sentir o tempo, de nem ver a hora passar e só me dar conta quando o corpo reclamou com fome. Nem acreditei no relógio quando vi. Tive que confirmar com as pessoas!
É tão bom quando se brilha... as pessoas vão se chegando perto da gente, num prazer também de se deixar ficar sem se saber porquê...
Mas posso estar confundindo tudo! Se tivesse que ficar estudando por obrigação, talvez não fosse tão prazeroso assim... Será?
Qual será a tua atividade prazerosa?
Será que é o teu trabalho mesmo?
Será que é jardinar de vez em quando?
Será que é cantarolar escondido?
Será que é dançar levitando no ar?
Será que é ficar por aqui lendo e relendo almas por trás das letras?
Hoje é dia de mentalizar muitas coisas boas para a Marcela e o Luís Felipe.
Luís Felipe é o filhinho da Marcela, que nascerá amanhã.
Querido Luís Felipe!
Venha pleno de energias, alegrias e esperanças!
Que descobrir a que se veio nessa vida é algo maravilhoso!
E fazer o que se veio fazer é algo melhor ainda!
Sê bem vindo!

Um beijo na brisa!
Pro Luís Felipe, em especial...
Pra ti, pelo teu aniversário
E para todos os amigos
Que não esqueceram o prazer que se sente
Em amar e ser amado
Em ser gentil de transbordar
Em viver, plenamente, cada dia, cada encontro, cada olhar, cada ser!
Vida a todos!
Carla
Hoje com a chuva maravilhosa que cai sobre a nossa cidade, tive o prazer de ouvir rádio como antigamente, programação inteira, de dialogar com o locutor, respondendo as propostas, rindo a riso solto, cantando alto... (e traduzindo o eufemismo - enorme engarrafamento!)
Hoje com a chuva que limpa e regenera, voltei aos estudos e redescobri um prazer há muito esquecido. Como é que se pode esquecer algo que nos dá tanto prazer? Isso acontece também com vocês?
Estudei como não fazia há muitos meses... de não sentir o tempo, de nem ver a hora passar e só me dar conta quando o corpo reclamou com fome. Nem acreditei no relógio quando vi. Tive que confirmar com as pessoas!
É tão bom quando se brilha... as pessoas vão se chegando perto da gente, num prazer também de se deixar ficar sem se saber porquê...
Mas posso estar confundindo tudo! Se tivesse que ficar estudando por obrigação, talvez não fosse tão prazeroso assim... Será?
Qual será a tua atividade prazerosa?
Será que é o teu trabalho mesmo?
Será que é jardinar de vez em quando?
Será que é cantarolar escondido?
Será que é dançar levitando no ar?
Será que é ficar por aqui lendo e relendo almas por trás das letras?
Hoje é dia de mentalizar muitas coisas boas para a Marcela e o Luís Felipe.
Luís Felipe é o filhinho da Marcela, que nascerá amanhã.
Querido Luís Felipe!
Venha pleno de energias, alegrias e esperanças!
Que descobrir a que se veio nessa vida é algo maravilhoso!
E fazer o que se veio fazer é algo melhor ainda!
Sê bem vindo!
Um beijo na brisa!
Pro Luís Felipe, em especial...
Pra ti, pelo teu aniversário
E para todos os amigos
Que não esqueceram o prazer que se sente
Em amar e ser amado
Em ser gentil de transbordar
Em viver, plenamente, cada dia, cada encontro, cada olhar, cada ser!
Vida a todos!
Carla
# Soprado aos quatro ventos pela Brisa : 21:35
terça-feira, 23 de novembro de 2004
Das coisas de todo dia...
"Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero."
Fernando Pessoa, Passagem das Horas
Eis que assim têm sido meus dias.
E todo dia, na sua rotina, traz uma novidade: um carinho, um olhar, um suspiro, um sonho (e de repente, isso virou conversa de padaria!)...
É como se eu estivesse em moratória...
Vi um filme italiano com crianças, lindo, chamado "Eu não tenho medo".
Se tiveres oportunidade, veja... não quero contar nada pra não estragar a surpresa do filme. O que li é que a história realmente aconteceu. Um amigo me disse ser parecido com a Vila (não sei, não vi). Mas, se tu fores como eu, que choro até em comédia, leva caixa de lenços...
O mais incrível é que finalmente ouvi o barulho do vento no trigo!
E é fantástico!
Beijo
Meu carinho em brisas
Carla
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero."
Fernando Pessoa, Passagem das Horas
Eis que assim têm sido meus dias.
E todo dia, na sua rotina, traz uma novidade: um carinho, um olhar, um suspiro, um sonho (e de repente, isso virou conversa de padaria!)...
É como se eu estivesse em moratória...
Vi um filme italiano com crianças, lindo, chamado "Eu não tenho medo".
Se tiveres oportunidade, veja... não quero contar nada pra não estragar a surpresa do filme. O que li é que a história realmente aconteceu. Um amigo me disse ser parecido com a Vila (não sei, não vi). Mas, se tu fores como eu, que choro até em comédia, leva caixa de lenços...
O mais incrível é que finalmente ouvi o barulho do vento no trigo!
E é fantástico!
Beijo
Meu carinho em brisas
Carla
# Soprado aos quatro ventos pela Brisa : 23:27
terça-feira, 26 de outubro de 2004
Sobre a vida!
Hoje é aniversário de pessoas muito caras ao meu coração...
* a pequena Daniela, que está se tornando uma mocinha!
* e um amigo distante, das frias madrugadas, dos sorrisos e das lágrimas, o Paulo Jorge.
Para eles, em especial, e para todos
que por aqui vem buscar um alento de paz,
uma de minhas mensagens preferidas
do poeta indiano Rabindranath Tagore...
"A vida do homem é feita de etapas, como as do ano são divididas em estações.
Há beleza especial em cada fase e tem finalidade própria cada ocasião.
Mudam as cores, passam os perfumes, vão-se os ritmos e ficam as lições.
Sucedem-se rápidas com as suas canções e flores, as suas tristezas e cores cinzas, os seus crepúsculos e amanheceres, todos os instantes que abrem e fecham as portas dos acontecimentos.
Essa dádiva dos deuses, que é viver, torna-se a semente da abundância do tempo, sem limite de tempo, que se conquista ao morrer, quando bem se passou cada etapa na condição de sábio aprendiz da verdade."
Um beijo e toda a ternura da brisa!
Carla
* a pequena Daniela, que está se tornando uma mocinha!
* e um amigo distante, das frias madrugadas, dos sorrisos e das lágrimas, o Paulo Jorge.
Para eles, em especial, e para todos
que por aqui vem buscar um alento de paz,
uma de minhas mensagens preferidas
do poeta indiano Rabindranath Tagore...
"A vida do homem é feita de etapas, como as do ano são divididas em estações.
Há beleza especial em cada fase e tem finalidade própria cada ocasião.
Mudam as cores, passam os perfumes, vão-se os ritmos e ficam as lições.
Sucedem-se rápidas com as suas canções e flores, as suas tristezas e cores cinzas, os seus crepúsculos e amanheceres, todos os instantes que abrem e fecham as portas dos acontecimentos.
Essa dádiva dos deuses, que é viver, torna-se a semente da abundância do tempo, sem limite de tempo, que se conquista ao morrer, quando bem se passou cada etapa na condição de sábio aprendiz da verdade."
Um beijo e toda a ternura da brisa!
Carla
domingo, 3 de outubro de 2004
Guardanapos de Papel
Tem certas músicas que tem tanta poesia, mas tanta...
Caio lembrou e a Fabiana declamou pra gente...
A sala éramos nós três... o café fumengando, os sonhos bailando nas letras!
A voz da Fabiana ecoando em todas as paredes, pela noite... a vida inteira!
Que paredes? Estávamos de novo lá pertinho do Pico da Bandeira...
A noite, o vento, as estrelas...
Todas as esperanças!
Tem certos momentos que fazem a gente ter certeza que vale a pena estar vivo!
Obrigada irmãos queridos!!!
Guardanapos de papel
(Biromes y servilletas )
Letra: Leo Maslíah, versión de Carlos Sandroni
Na minha cidade tem poetas, poetas
Que chegam sem tambores nem trombetas,
Trombetas e sempre aparecem quando
Menos aguardados, guardados, guardados
Entre livros e sapatos, em baús empoeirados
Saem de recônditos lugares, nos ares, nos ares
Onde vivem com seus pares, seus pares
Seus pares e convivem com fantasmas
Multicores de cores, de cores
Que te pintam as olheiras
E te pedem que não chores
Suas ilusões são repartidas, partidas
Partidas entre mortos e feridas, feridas
Feridas mas resistem com palavras
Confundidas, fundidas, fundidas
Ao seu triste passo lento
Pelas ruas e avenidas
Não desejam glórias nem medalhas
Medalhas, medalhas, se contentam
con migalhas, migalhas, migalhas
De canções e brincadeiras com seus
Versos dispersos, dispersos
Obcecados pela busca de tesouros submersos
Fazem quatrocentos mil projetos
Projetos, projetos, que jamais são
Alcançados, cansados, cansados nada disso
Importa enquanto eles escrevem, escrevem
Escrevem o que sabem que não sabem
E o que dizem que não devem
Andam pelas ruas os poetas, poetas, poetas
Como se fossem cometas, cometas, cometas
Num estranho céu de estrelas idiotas
E outras e outras
Cujo brilho sem barulho
Veste suas caudas tortas
Na minha cidade tem canetas, canetas, canetas
Esvaindo-se em milhares, milhares, milhares
De palavras retorcendo-se confusas, confusas
Confusas, em delgados guardanapos
Feito moscas inconclusas
Andam pelas ruas escrevendo e vendo e vendo
Que eles vêem nos vão dizendo, dizendo
E sendo eles poetas de verdade
Enquanto espiam e piram e piram
Não se cansam de falar
Do que eles juram que não viram
Olham para o céu esses poetas, poetas, poetas
Como se fossem lunetas, lunetas, lunáticas
Lançadas ao espaço e o mundo inteiro
Inteiro, inteiro, fossem vendo pra
Depois voltar pro Rio de Janeiro!
Tomado de: Milton Nascimento "Tambores de Minas".
Semana de poemas, poemas, poemas...
De suspiros revelados, de sonhos desabrochados...
E Salve São Francisco!
Meu carinho
Carla
Caio lembrou e a Fabiana declamou pra gente...
A sala éramos nós três... o café fumengando, os sonhos bailando nas letras!
A voz da Fabiana ecoando em todas as paredes, pela noite... a vida inteira!
Que paredes? Estávamos de novo lá pertinho do Pico da Bandeira...
A noite, o vento, as estrelas...
Todas as esperanças!
Tem certos momentos que fazem a gente ter certeza que vale a pena estar vivo!
Obrigada irmãos queridos!!!
Guardanapos de papel
(Biromes y servilletas )
Letra: Leo Maslíah, versión de Carlos Sandroni
Na minha cidade tem poetas, poetas
Que chegam sem tambores nem trombetas,
Trombetas e sempre aparecem quando
Menos aguardados, guardados, guardados
Entre livros e sapatos, em baús empoeirados
Saem de recônditos lugares, nos ares, nos ares
Onde vivem com seus pares, seus pares
Seus pares e convivem com fantasmas
Multicores de cores, de cores
Que te pintam as olheiras
E te pedem que não chores
Suas ilusões são repartidas, partidas
Partidas entre mortos e feridas, feridas
Feridas mas resistem com palavras
Confundidas, fundidas, fundidas
Ao seu triste passo lento
Pelas ruas e avenidas
Não desejam glórias nem medalhas
Medalhas, medalhas, se contentam
con migalhas, migalhas, migalhas
De canções e brincadeiras com seus
Versos dispersos, dispersos
Obcecados pela busca de tesouros submersos
Fazem quatrocentos mil projetos
Projetos, projetos, que jamais são
Alcançados, cansados, cansados nada disso
Importa enquanto eles escrevem, escrevem
Escrevem o que sabem que não sabem
E o que dizem que não devem
Andam pelas ruas os poetas, poetas, poetas
Como se fossem cometas, cometas, cometas
Num estranho céu de estrelas idiotas
E outras e outras
Cujo brilho sem barulho
Veste suas caudas tortas
Na minha cidade tem canetas, canetas, canetas
Esvaindo-se em milhares, milhares, milhares
De palavras retorcendo-se confusas, confusas
Confusas, em delgados guardanapos
Feito moscas inconclusas
Andam pelas ruas escrevendo e vendo e vendo
Que eles vêem nos vão dizendo, dizendo
E sendo eles poetas de verdade
Enquanto espiam e piram e piram
Não se cansam de falar
Do que eles juram que não viram
Olham para o céu esses poetas, poetas, poetas
Como se fossem lunetas, lunetas, lunáticas
Lançadas ao espaço e o mundo inteiro
Inteiro, inteiro, fossem vendo pra
Depois voltar pro Rio de Janeiro!
Tomado de: Milton Nascimento "Tambores de Minas".
Semana de poemas, poemas, poemas...
De suspiros revelados, de sonhos desabrochados...
E Salve São Francisco!
Meu carinho
Carla
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